segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Os Amarantes

 Por Anderson Cássio de Oliveira Lopes

Num dia como hoje, há oito anos, eu entregava ao público o romance "Os Amarantes", durante a "12ª Primavera dos Museus" em Barreiras. Alguém já me perguntou qual é a relação entre a obra e os museus, por causa do local do lançamento, mas a verdade é que não há uma relação direta, simplesmente aquele foi o evento que me abriu primeiramente as portas e eu não quis procurar outro onde realizar o lançamento.
Também já me questionaram sobre o motivo de ter realizado uma auto-edição. Uma vez mais, a razão é simples: as grandes editoras costumam distribuir livros com 150 mil até no máximo 300 mil caracteres, sobretudo no que se refere à produção literária de autor ainda não consagrado. A obra "Os Amarantes" foi concebida com cerca de um milhão e 200 mil caracteres e, portanto, estava fora do interesse comercial próprio das editoras relevantes, de modo que só me restava, ou mutilá-la, ou auto-editá-la. Optei, naturalmente, pela auto-edição, que lhe preservou a densidade e a extensão originais.

Aproveito o ensejo para recordar que se trata de um romance ambientado majoritariamente na porção norte do cerrado brasileiro, embora em cidade fictícia, e, secundariamente, em Brasília, com passagens pontuais por Salvador e Rio de Janeiro. Há nele uma grande vontade de mesclar o sabor local com questões universais. A linguagem muitas vezes tende a certo refinamento, nos moldes da melhor tradição escrita em língua portuguesa, com muita exploração da sonoridade e sutileza das palavras; neste sentido, desde as primeiras frases, o leitor se deparará com o culto da palavra em si, de seus significados não imediatos, como também com alguns registros linguísticos característicos das diferentes regiões e países que falam português, com a intenção de que mesmo um leitor geograficamente distante encontre algo que lhe pareça familiar. Em todo caso, é um romance que reclama um leitor paciente, que não se entrega à ânsia de conhecer logo o desfecho e seja capaz de saborear lentamente cada pormenor, cada alusão, cada ideia, engastados na narrativa. Assim, o ritmo textual é propositalmente desacelerado nos dois primeiros capítulos, de modo a quebrar a pressa e o imediatismo dos nossos dias, mas há um capítulo um pouco mais ágil, o terceiro. Do quarto capítulo em diante, a narrativa entra num compasso mais regular, intermediário entre a falta de pressa dos dois primeiros e a agilidade do terceiro, mantendo-se assim até o final.
A abordagem narrativa prevalecente é realista ou naturalista, porém há inúmeras passagens tendentes ao poético e ainda outras com uma pegada existencialista, flutuando em função do momento vivido pelas principais personagens. Os protagonistas enfrentam os embates do amor, das paixões, da camaradagem, da busca da felicidade e da liberdade, mas também se chocam contra a incompreensão, as desavenças familiares, as mazelas sociais, o orgulho ferido, as dificuldades profissionais e políticas do país, enfim, contra o lado trágico da vida. Como se saem disso? A resposta está nas páginas de "Os Amarantes".
Os meus leitores não têm sido em grande número, um pouco pela restrita capacidade de distribuição de um autor que edita a si mesmo. No entanto, esses poucos me têm feito chegar um feedback generoso e estimulante. Eu lhes agradeço a magnanimidade.